II Seminário Missões Com Crianças.

II Seminário Missões Com Crianças.
Participe e nos ajude a levar doações aos nordestinos em janeiro de 2018!

Translate/Tradutor

21 de maio de 2012

Extra na Série 10 ARTIGOS > 4º - CRECHE RUTH NISKIER por Leonor Cardoso Rosa.

FOTO DO SITE: iserj.net
A EDUCAÇÃO INFANTIL NO INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO RIO
DE JANEIRO: HISTÓRIAS E TRAJETÓRIAS DA CRECHE RUTH NISKIER

Leonor Cardoso Rosa
Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pedagoga da
UERJ, atuando no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira e professora
especialista (Orientação Educacional), da Secretaria Municipal de Educação de Duque de
Caxias – RJ

Com o objetivo de contribuir com as discussões do III Simpósio Internacional e VI Fórum Nacional de Educação, que tem como temática Políticas Públicas, Gestão da Educação, Formação e Atuação do Educador, inserimos nosso trabalho, uma vez que visamos resgatar um pouco da história da Creche Ruth Niskier, instituição vinculada ao Instituto de Educação do Rio de Janeiro (IERJ), tradicional e inovador centro de formação de professores, atual Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), desde 1980.

Este trabalho sistematiza parte das informações coletadas durante pesquisa realizada, junto à instituição, que teve por finalidade a elaboração de dissertação de mestrado, avaliada em fevereiro do ano de 2004 - Educação Infantil e seus Professores Estudantes e profissionais do ISERJ (Curso Normal Superior e Creche Ruth Niskier).

Nos deteremos nesta apresentação em dados relativos à Creche, passando por sua história e trajetória no contexto do Instituto, trazendo ainda um pouco da fala de seus profissionais. A Educação Infantil – enquanto campo de conhecimento, atuação profissional e política educacional pública – vem ganhando terreno e contornos mais nítidos já há algum tempo. Dessa forma, as discussões que emanam de seu interior têm conquistado maior visibilidade e consistência. No que diz respeito, mais especificamente, às Creches percebemos muitas limitações na sistematização de documentação, da análise, de divulgação de trabalhos e pesquisas, como se esta ocupasse um segundo plano dentro da Educação Infantil.

Por isto mesmo nosso estudo elencou este campo e esteve relacionado aos profissionais que atuam no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ) com Educação Infantil, mais especificamente na Creche Ruth Niskier (CRN). Entre outras questões, buscamos verificar quem são estes profissionais, quais são suas formações ou o motivo de terem optado pela Educação Infantil, além de conhecer um pouco de suas expectativas.

Ainda que, sem dúvida alguma, o Instituto de Educação tenha sido alvo de numerosos estudos anteriores, optamos por uma nova vertente, uma vez que não temos notícia de trabalhos, deste porte, que tivessem como foco de pesquisa a Creche.

Nosso objetivo passou pelo levantamento histórico da instância de ensino investigada – Creche Ruth Niskier –, configurando o contexto de atuação/formação a partir de documentação própria e de relatos orais de histórias, registrados oficialmente ou não, para verificarmos como esse espaço foi constituído.

Esta pesquisa teve como eixo fundamental toda uma conjuntura que envolveu, e envolve, a formação e atuação de profissionais para a Educação Infantil/Creche. Para desenvolvê-la, utilizamos a aplicação de questionários, entrevistas com alguns membros da equipe técnica e direção, alunos e profissionais, além de análise de documentos e bibliografia.

O INSTITUTO DE EDUCAÇÃO
Entendemos que é preciso resgatar um pouco da história do IERJ. Entretanto, partimos deste resgate com a certeza de que não nos garante a superação da tensão entre a particularização e a totalização, muitas vezes disfarçada por uma suposta contextualização das questões educacionais. Claro está que esta pequena contextualização sugere apenas um breve passeio pela trajetória do Instituto, sobre os quais neste trabalho não teremos chances de nos deter muito, pela inviabilidade de traçar um sério esquema analítico que permitisse a integração de aspectos mais gerais e abrangentes da problemática educacional com aspectos
mais restritos dessa mesma problemática e suas relações com o contexto mais amplo, conforme nos alerta Nagle (1984).

Buffa (1990) chamava a atenção para o que denominava de precursorite ou a tendência de se estabelecerem analogias fortuitas e superficiais entre passado e presente, as quais acabam por se constituir em abordagem descontextualizada, por negligenciar o contexto histórico em que foram produzidos determinados processos ou idéias.

Portanto, de início, atentamos para as limitações dessa contextualização e para nosso ponto de partida. NOsso corpo documental se constituiu fundamentalmente do material encontrado por nós no Arquivo Geral do próprio Instituto, além de matérias de periódicos e textos produzidos pelo próprio corpo de professores e apresentados em encontros pedagógicos. Sistematizamos ainda informações obtidas em conversas, entrevistas e questionários com profissionais da instituição.

De 05/04/1880 até os dias de hoje, portanto há quase 130 anos, o IERJ, por meio de muitas lutas e resistências, tem construído sua história na formação de professores, marcando sua importância no cenário educacional de estado do Rio de Janeiro e, sem dúvida alguma, de nosso país.

Desde sua criação, muitas mudanças ocorreram, e o Instituto e seus profissionais vêm encontrando várias e distintas dificuldades. Dificuldades que passam tanto pela decadência e não-conservação de seu patrimônio físico, como pelo uso político da Instituição, pela descontinuidade de programas e políticas educacionais e pela desvalorização permanente dos profissionais da Educação.

Ainda que, neste trabalho, não desejemos deter-nos neste ponto, não podemos deixar de mencionar que a concepção de uma formação para o magistério em nível universitário não é uma ideia nova, mas uma concepção retomada, ao mesmo tempo que salientamos que atuar com a formação de professores em nível superior não é uma experiência inédita para o Instituto de Educação.

A CRECHE RUTH NISKIER
Antes de tratarmos da CRN, não podemos deixar de abordar o Colégio de Aplicação do ISERJ (CAp-ISERJ). Além de ser locus de formação, já há algum tempo o Instituto é locus de prática, em razão dos diferentes campos de observação e atuação.

O reconhecimento de tal perspectiva de campo de formação e atuação levou à relativamente recente integração, à estrutura do ISERJ, de seu Colégio de Aplicação, criado pelo Decreto n° 24.685, de 18 de setembro de 1998, subordinado à Fundação de Apoio à Escola Técnica.

Identificamos não uma criação, mas uma legitimação, de um espaço já oferecido há várias décadas. O CAp-ISERJ está subordinado à Direção do ISERJ e é definido, em seu regimento, como uma escola pública que constitui uma unidade de experimentação e de aperfeiçoamento metodológico de ensino e de capacitação pedagógica para os alunos matriculados nos cursos oferecidos pela instituição.

No Regimento do CAp-ISERJ, a CRN aparece como integrante da Educação Infantil, juntamente com a Pré-Escola, em consonância com a legislação educacional. Entretanto, nem sempre foi assim. Por isso, antes de apresentarmos alguns depoimentos dos atuais profissionais da Creche, contamos um pouco de sua história.

A Creche foi “criada” oficialmente em 1990, ainda que já funcionasse desde 1980. Cabe aqui pontuar que, de início, acreditávamos que o resgate do histórico da CRN seria feito junto à mesma; entretanto, ao iniciar a pesquisa, nos deparamos com a falta de dados históricos e documentais sobre a mesma.

A Creche em questão só possuía a cópia do decreto de sua criação: Decreto n° 14.325, de 17 de janeiro de 1990. Neste decreto, é mencionado o fato de a mesma funcionar desde 02 de junho de 1980. Com a pesquisa, conseguimos ter acesso ao Decreto n° 14.691, de 24 de abril de 1990, que alterava a redação do 2º artigo do decreto de criação da Creche, estabelecendo a faixa etária de 0 a 3 anos como clientela de atendimento, ao passo que, na primeira versão, a faixa se estendia até os 6 anos. É preciso dizer que a própria equipe da CRN desconhecia este decreto de alteração.

Com a falta de dados sistematizados, partimos para o Arquivo Geral do Instituto de Educação. Em meio a tantos documentos importantes, um documento nOs surpreendeu, não só por seu conteúdo, mas sobretudo por seu título e data. Trata-se de uma folha datilografada, que tem em sua capa os seguintes dizeres manuscritos: “O problema da Creche”. Enquanto nosso foco inicial nos levava a dar maior atenção a documentos específicos do final da década de 70 ou início dos anos 80, este documento é datado de 2 de setembro de 1966. Segundo o mesmo, a Creche já deveria estar funcionando durante o ano de 1967.

Infelizmente, tal documento, como vários outros, não se encontrava catalogado ou contextualizado, juntamente com outros documentos da mesma época. Dessa forma, não temos mais nenhuma referência sobre tal situação ou período. Sabemos apenas que a Creche não foi inaugurada em 1967, como previsto no texto. Só voltamos a encontrar referências documentais datadas sobre a Creche, no Instituto, a partir do ano de 1980.

Precisamos assinalar a importância do Livro de Atas do Conselho de Consultores do então Centro Regional de Educação, Cultura e Trabalho (CRECT), que registra reuniões realizadas de 9 de abril de 1979 até 13 de junho de 1983. Tais atas foram essenciais à pesquisa, pois justamente se reportam ao início do funcionamento da Creche, inserindo-a em contexto mais amplo.

Em tal Livro de Atas, verificamos o planejamento e a execução de várias atividades durante o ano de 1980, que visavam “às comemorações do 1º. Centenário de Instalação do Instituto de Educação e 50º Aniversário da Inauguração do Prédio”, do mesmo Instituto.

Citando a conjuntura político-administrativa da época, temos a seguinte composição de cenário, no que diz respeito a alguns cargos, citados no documento: como secretário de Educação e Cultura, Arnaldo Niskier; como governador, Chagas Freitas; na presidência do Brasil, o general João Baptista de Figueiredo. Algo que é frisado, em uma das atas, é o fato de a primeira-dama do Brasil, Dulce Figueiredo, ter estudado na instituição.

Foram propostas várias atividades para as comemorações. A Ata da 11ª Reunião, realizada em 10 de março de 1980, relata o seguinte roteiro de programação do Centenário: [...] entrega das medalhas Benjamin Constant aos professores e funcionários com mais de dez anos de exercício no IERJ, descerramento da placa comemorativa do 1º. Centenário de instalação da Escola Normal da Corte, atual Instituto de Educação do Rio de Janeiro, inauguração da Sala dos Professores Haydée Sanches, Serviço de Saúde Escolar Dr. José Dabul, Seção Odontológica Dra. Odette Paes Barreto Gomes, Parque Aquático Piedade Coutinho, Biblioteca Arnaldo Niskier. A Creche do Instituto de Educação deverá ter sua inauguração adiada.

Ainda que seja a primeira vez que a Creche é citada no documento, já aparece enquanto adiamento de sua inauguração. Na reunião realizada em 12 de maio, temos a justificativa do diretor, presidente do Conselho da suspensão da sessão anterior, que deveria acontecer em abril, “em razão das comemorações do I Centenário”. É informado “que o Exmo. Sr. Governador Chagas Freitas recebeu a medalha Benjamin Constant” (medalha comemorativa do Centenário) e registradas “as presenças, na Festa do Cinqüentenário, do Exmo. Sr. Presidente da República e da Primeira-Dama do País”.

Mais adiante, encontramos o seguinte registro na Ata: “Convidou, a seguir, os presentes para a inauguração da Creche”. A seguir, temos a última referência feita à Creche, neste Livro de Atas: “A professora Floresilla informou aos colegas sobre o gesto da professora Paulina, mãe da Sra. Ruth Niskier, que oferece uma ou duas tardes para participar dos trabalhos da Creche”. Além de não mencionar a data da inauguração da Creche, não se refere ao fato de a mesma receber o nome de Ruth Niskier. Contudo, pudemos verificar o contexto da criação e a relação do então secretário de Educação, Arnaldo Niskier, com a homenagem feita à sua esposa.

A próxima referência documental que temos é um material encadernado intitulado Regimento Interno–IERJ, que, mesmo não trazendo datação exata, faz referências ao início dos anos 80. Tal material parece ter servido como base para a análise e elaboração de novo regimento posterior e foi encontrado próximo ao relatório de conclusão de um Grupo de Trabalho de Revisão e Atualização do Regimento, datado de 1988.

Se durante a pesquisa o ISERJ aguardava a aprovação de seu novo Regimento Geral, da mesma forma elaborado por um Grupo de Trabalho, onde a Creche se encontra juntamente com a Pré-Escola, integrando a Educação Infantil – o que também podemos verificar no Regimento do CAp-ISERJ –, a situação não era a mesma na ocasião de elaboração do material nos primeiros anos da década de 80.

Pode parecer estranho nos dias atuais, mas, na estrutura do Instituto, a Creche não aparecia inicialmente vinculada à Organização Pedagógica e Didática do Instituto, e sim à Administração Escolar, mais especificamente ao Serviço de Saúde Escolar, composto, além da Creche, pela Seção Médica, Setor Odontológico e Setor de Foniatria. Dessa forma, tal Regimento destina a subseção IV do capítulo VIII, “Dos Órgãos de Saúde Escolar”, à Creche.

Entretanto no texto de tal subseção podemos ver a superação de tal vinculação formal, uma vez que é feita referência à Educação Pré-Escolar e ao vínculo com o Curso de Estudos Adicionais.

Tal superação nos parece referendada por outro documento, de 1983, o Planejamento Geral da Instituição, que estabelecia metas pedagógico-culturais, pedagógico-administrativas e pedagógico-comunitárias. Neste, a Creche já aparece caracterizada como um segmento, tal qual a Pré-Escola e os demais (1º segmento, 2º segmento e 2º Grau).

A essa altura e de certa forma, seguindo uma linha cronológica, não podemos deixar de nos deter no trabalho sistematizado por Gilda Menezes Rizzo, que, no ano de 1984, foi transformado no livro, Creche: organização, montagem e funcionamento. Tal obra tem praticamente toda sua base na experiência da autora, na direção da Creche Ruth Niskier, e nos traz vários elementos não só para sua caracterização, na época, como para um entendimento mais amplo da concepção sobre a Creche naquela ocasião.

Ao ler tal obra, ainda que esteja organizada de forma geral, podemos tomar contato com a realidade da Creche Ruth Niskier, com sua organização, montagem e funcionamento. A referência não é apenas indireta. Todas as fotografias que ilustram o livro foram efetuadas na própria CRN.

É necessário salientar que, além de dirigir a Creche, Rizzo era professora e coordenadora do Curso de Estudos Adicionais e, como já vimos, a CRN, desde o início de suas atividades, já surge como possibilidade de campo de pesquisa e estágio para os alunos deste Curso, na área de Educação Pré-Escolar, além de servir como modelo experimental. É fato que temos de reconhecer todas as lacunas deste breve histórico, mas esperamos ter contribuído, dentro das possibilidades apresentadas, resgatando um pouco da trajetória da Creche, principalmente do início de suas atividades e da relação íntima de sua criação com a perspectiva de formação de professores.

A estes dados poderíamos acrescentar outros citados pelos profissionais que atuam na Creche e a vêm construindo em seu cotidiano. Entretanto pela limitação na sistematização, optaremos por registrar algumas observações relativas a formação de professores, no que diz respeito as que atuam e sua visão da formação oferecida pelo ISERJ, através do Curso Normal Superior (CNS).

No início do ano de 2003, passamos às entrevistas com a equipe de coordenação, e posterior a aplicação de questionário a todos os profissionais em exercício na Creche. Nesta etapa contamos com a colaboração de 17 funcionárias da Creche. A seguir destacamos dois tópicos das respostas obtidas.

Sobre a percepção da Creche e sua integração com os demais segmentos, uma vez que a instituição, de forma geral, abrange todos os níveis educacionais: da Educação Infantil ao Ensino Superior, a maioria das respostas obtidas revelava falta de integração, apontando desde motivos físicos, segmentação e distanciamento dos espaços à desqualificação do trabalho ali desenvolvido. Foi apontada uma limitada integração com a Pré-Escola; a respeito do CNS, são feitas algumas críticas sobre a falta de retorno das observações realizadas.

Porém, também temos avaliações positivas. Vamos a todas as respostas deste item:

– Não posso avaliar, pois estou na instituição desde fevereiro.
– Nós, do apoio, não temos muito contato e acho que os outros também não. A gente fica muito isolada aqui.
– Não tenho contato com os outros segmentos.
– Não acontece.
– Não percebo, o que, no meu entender, é lamentável!
– Não considero que haja integração.
– Não existe integração, apenas um pequeno vínculo com professores que têm filhos na creche e alunos também. Infelizmente muitos pensam que só trocamos fraldas.
– Infelizmente, essa integração deixa muito a desejar. Todas as atenções se voltam para os segmentos que transmitem conteúdos. O nosso trabalho não aparece. Para muitos responsáveis e colegas somos babás.
– Não temos integração com os ouros segmentos, pois somos até observadas, porém não temos acesso aos resultados dessas observações.
– Nunca tivemos acesso aos resultados e observações feitos pelos estagiários. Não há integração.
– Sinceramente falando, a creche ainda infelizmente fica um tanto isolada. Acho porque também o prédio é mesmo meio sozinho; mas o trabalho aqui é de total empenho, respeito e dedicação. O nosso trabalho já está aparecendo.
– Como um segmento estigmatizado, com seus profissionais desvalorizados, a própria localização é desfavorável. Ao final do ano, ocorre uma tímida integração com a Pré-Escola.
– O ISERJ, por seu tamanho, torna-se muito fragmentado, não havendo tal integração. A Creche procura caminhar junto do pré-escolar, promovendo alguns encontros anuais entre seus profissionais, já que os alunos da Creche, ao completarem três anos, passam para o Pré, onde a realidade é completamente
diferente.
– A separação dos prédios dificulta essa integração, mas, sempre que somos solicitados para algum projeto e seminário, estamos presentes. A integração poderia ser melhor, principalmente com a Pré-Escola e o Normal Superior.
– A integração com os demais segmentos melhorou bastante em relação aos anos anteriores; mesmo assim, sinto a necessidade de uma maior integração com o Curso Normal Superior e o pré-escolar.
– A Creche faz parte do conjunto e a integração é uma meta conquistada dia-a-dia.
– Sim, percebo esta integração e isso é muito importante para o trabalho dentro desta instituição e isto tem de ser contínuo para um bom trabalho.
– Vejo o trabalho da Creche com muito respeito, sucesso e competência com relação ao trabalho pedagógico que se propõe a fazer.

No que diz respeito especificamente ao CNS, ao solicitarmos às profissionais da CRN uma avaliação sobre a habilitação em Educação Infantil, que forma professores para atuarem tanto em Creches como em Pré-Escolas, oferecida pelo curso acima citado, das 17 respostas, 12 apontam o desconhecimento do currículo da habilitação, 2 declaram ter uma visão limitada do mesmo, sendo necessária maior integração, o que é apontado em outros 2 questionários, e uma faz uma avaliação positiva da habilitação, ressaltando a importância de “uma prática pedagógica mais intensa no momento da formação”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
No campo de pesquisa, da formação e atuação de professores, mesmo havendo uma vasta literatura em âmbito nacional e internacional, ainda identificamos muitas lacunas e silêncios. Estes são ainda mais intensos no que diz respeito ao estudo sobre Creches e seus profissionais, embora reconheçamos a ampliação gradativa de tais estudos. Justamente por este motivo, optamos por penetrar nos silêncios da produção acadêmica, valorizando o relato das educadoras desse campo, acolhendo suas narrativas, suas percepções e sua avaliação.

Esperamos ter contribuído para despertar reflexões no grupo pesquisado.

Quanto ao Instituto de Educação, temos certeza de que o mesmo percorreu um longo caminho, passando, inclusive, do ponto de vista físico, por vários e distintos prédios. Todavia, é preciso que, ao continuar sua própria trajetória, seus profissionais e estudantes descubram os caminhos por entre seus prédios e as pessoas que neles circulam.

É necessário que o Instituto de Educação realize mais que aproximar pessoas, profissionais, vivências, histórias, cursos: é preciso que reafirme sua história não temendo suas dificuldades, seus “problemas”. Dificuldades que, ainda que pareçam, ou realmente sejam, enormes, apontem para o fato de que vale a pena continuar insistindo, investindo na Educação.

No que diz respeito à Creche Ruth Niskier e ao Curso Normal Superior, fica clara a necessidade de uma maior interlocução entre os mesmos. Não podemos perder de vista a necessidade de articulação entre os campos de formação e de atuação, não só no que diz respeito à CRN e ao CNS, mas também de forma mais ampla.

Podemos afirmar que a preocupação com a Educação, a Educação Infantil, e a formação dos educadores já conquistou avanços. Avanços que não são conquistas finais, e muito ainda deve ser encaminhado com relação à incorporação, de fato, das Creches e de seus educadores aos sistemas educacionais.

Este desafio é nosso. Juntos, devemos buscar e assegurar caminhos. Caminhos que são possíveis. Mas, antes de tudo, passam por opções, por compromisso. É justamente isto que pretendemos. Identificando limites, dificuldades, podemos definir necessidades e possibilidades, estruturando e encaminhando melhor nossas ações, para que cresça o compromisso, não só com o específico das Creches, mas com a EducaÇão, com a Educação Pública de qualidade e aqui se insere o compromisso com a formação de
professores, entre tantas outras.

É necessário que se resgate o passado, sim, mas não nos devemos prender ao mesmo. Devemos olhar, de forma atenta, o presente e o futuro, e prestar atenção às novas demandas internas e externas, levando em consideração o específico e o contexto social mais amplo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUFFA, Ester. “Contribuições das ciências humanas para a educação e a história”. Em
Aberto, Brasília, ano IX, n° 47, jul/set.1990, pp. 13-9.
ISERJ. Manual de orientação acadêmica para os alunos do Curso Normal Superior do
Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1999 (mimeo).
______. Livro de Atas de reuniões do Conselho de Consultores do CRECT/IE/RJ. 1979-
1983.
______. Regimento Interno. S.d. (mimeo).
NAGLE, Jorge. “História da educação brasileira: problemas atuais”. Em Aberto, Brasília, ano
III, n° 23, set./out. 1984, pp. 27-9.
RIZZO, Gilda. Creche: organização, montagem e funcionamento. Rio de Janeiro: Francisco
Alves, 1984.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos o seu comentário. Ele será publicado, após moderação. Lembre-se de que crianças acessam este espaço, então, comente com educação e respeito. Não deixe de nos visitar novamente. Divulgue os textos com os devidos créditos. Se houver alguma foto de sua autoria, nos informe pelo e-mail com link para averiguação. Muitas das fotos aqui expostas foram tiradas das imagens do Google. Obrigada!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Google+ Badge