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1 de março de 2015

A nova surra apresenta a geração que berra.

Foto de Thinkstock
Compartilhando uma experiência pessoal:

"Adriel, vai tomar banho.” Essa foi a frase que repeti de 13:00 até às 20:30 num dia de semana que meu filho resolveu me testar. Evito gritar, falar alto, mas tem dias que meu tom de voz toma uma dimensão que depois eu fico muito chateada comigo mesma.

Todos me dizem que é fase! Que crianças de 7 a 10 anos, meninos, não gostam de tomar banho em horários específicos. Preferem a hora que dá vontade. O problema é que essa hora parece nunca chegar.

E você vai repetindo e isso vai causando uma angústia e quando você menos espera, para não agredir fisicamente: você grita. Após o grito, após o rosto chocado e triste do filho. Não sei vocês, mas eu me peguei chorando em meu quarto. Senti-me horrível. Detesto grito e me vi imitando o que meu pai sempre fez comigo e que me afastou dele durante a adolescência. O grito causa traumas!

Depois de me recompor. Fui conversar com meu filho. Contei a ele como odiava acordar com gritos, como detestava ser chamada aos berros e como a voz alta e descontrolada me incomoda até hoje. Meu filho mais velho é um doce de menino. Pouquíssimas vezes aderi ao chinelo, e se me lembro, foi um caso extremo da desobediência dele, após muito pedir com voz calma e suave alguma ordem.

Enfim, “Filho, vai tomar banho!” foi dita umas vinte vezes ou mais. E nada de banho! A TV não deixou, o gibi “A Turma da Mônica” não deixou, os joguinhos do Tablet não deixaram...

Têm uns dois anos que parei de “chinelar” o Dri. Passamos a ter conversas! O problema é que com as conversas se transformaram em gritos! Quando vi, eu repetia as mesmas ações de meu pai no meu primogênito.

Dri não é uma criança desobediente! Não me dá trabalho, graças a Deus. Não me responde! Ajuda muito no cuidado com o irmão mais novo. Beija-me e abraça sempre... É um grude comigo! Fica até difícil pensar que algo simples, ele não consiga realizar e eu, pior, não consiga lidar. Um banho!

A geração de meus filhos é a geração dos sem palmadas, que foram banidas por lei, mas nem sempre obedecidas. Eu sou contra! Só apanhei três vezes na minha vida e não tenho trauma nenhum das chineladas e cintadas que levei, mas dos gritos... Só Jesus para me curar! Não suporto lugares barulhentos, muitas pessoas falando juntas num mesmo espaço, falando uma mais alto que a outra para que se ouçam... Grito me irrita! Por isso, prefiro uma palmada a um grito. Só que, infelizmente, eu tive que reanalisar meu comportamento de mãe.

O meu grito era a nova surra! Dri vai fazer 10 anos, não tenho porque chamar a atenção dele ao que eu peço ou ordene que não seja em conversa. Não consigo levantar a mão para ele... Só que não consigo entender essa fase do “Estou escutando e vou daqui a pouco”. Costumo dizer para ele que “Não sou papagaio, não sou gravador. Só falo uma vez”. Mas e se eu tiver que falar mais de uma vez? Para não bater, vou gritar?

Disciplinar filho é uma questão de amor. É conversar! E quando me vi fugindo as minhas regras pessoais de maternidade, surtei no meu quarto de joelhos pedindo perdão a Deus. Não estava sabendo orientar a herança que ele me confiou. Foi preciso uns dois dias de oração, para que eu sentasse com o Dri, pedisse perdão a ele e o orientasse sobre a importância da obediência.

Não quero ser uma mãe que beija, abraça, é amiga, mas quando contrariada se transforma em outra pessoa. Minha mãe só me bateu uma vez, que eu me lembre, e ela chorou compulsivamente logo depois. Nunca mais fiz o que pudesse fazê-la chorar daquela maneira novamente.

Preciso ser uma boa mãe como a minha foi. Preciso disciplinar sem ofender como meu pai fazia. Preciso orientar sem manipular com comparações como fizeram comigo. Preciso ordenar sem gritar. Preciso entender meus sentimentos para não fazer parte da “Geração que Berra”.

Não quero levantar a voz com meus filhos, porque é a reação mais fácil e rápida. Não quero fazer parte da estatística de pais que gritam mais do que conversam com seus pequeninos. Gritar é como preparar seu filho para um futuro cheio de más lembranças. Sou prova disso!

Eu nem lembro o que meu pai gritava comigo. Mas não esqueço o tom da altura e quero este tom bem distante da criação de meus filhos. Não quero que sintam a raiva que eu sentia ao ouvir o tom gritante, ao ver a sobrancelha franzida e o dedo na cara. Não desejo essa lembrança na mente deles. Não sou super mãe. Falho à béssa! Principalmente com o mais novo tentando acertar o que errei com Dri.

A verdade é que o GRITO não ajuda em nada. Não há aprendizado! Eu, pelo menos, não aprendi nada com eles. Amo meu pai, mas detesto me lembrar dos gritos dele.

Sinceramente, para mim, o diálogo é a melhor forma de educar. No entanto, assim como o professor não recebe formação para lidar com indisciplina em sala de aula, os pais não recebem aula de como lidar com desobediência.
O nervosismo, a irritação e o cansaço de repetir a mesma ordem várias vezes... Tira do sério. Somos humanos! No entanto, entenda: Seu filho é capaz de entender as emoções dos outros, por isso, converse! Principalmente, depois do grito!

Não estou traumatizada pelos gritos, apesar de não conseguir esquecer o tom deles e a altura dos mesmos, mas se os gritos se repetirem como eram comigo... Não duvido que no futuro, outra pessoa se lembre do tom e não da causa do tom de voz.

A repetição é a marca daquilo que nem sempre é bom. O grito não é bom!
É a nova surra de uma geração que berra! E não, não quero fazer parte disso! Meu filho entendeu! Só falo cinco vezes agora e continuamos tentando a falar só uma.




Fonte que inspirou este texto:

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